quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Metalúrgica

Rebaixado o aço 1020
Fez a peça criar seu requinte
Um rasgo superior
E a tinta não usada para cor
A traçagem na pós peneira
E a imagem com fumaça da caldeira
Tua mão suja de graxa não pode pegar a caixa!
Limpa teu personagem mecânico
E a abra, mas não entre em pânico.
Todos sabem que debaixo do macacão sujo, há um parque de sensibilidade e muito mais
O mecânico não é tão duro quanto os seus metais

segunda-feira, 9 de março de 2015

Chuva Repentina

O sol, com toda sua força, brilhando
Eu estou caminhando
Mergulho de ponta em uma poça
Chuva repentina
Que começa fina
E logo fica grossa
Ninguém espera
Como encontrar um desconhecido na casa onde mora
Fisgar abelhas no rio onde pesca
A chuva vem, refresca e vai embora
Logo volta o calor
Uma revolta, um horror
Encantado a qualquer idade
Deixa tudo molhado
Pra quem mora na cidade,
O cheiro de cimento soprado pelo vento
Prendendo o trânsito alagado como um grampo
A previsão às vezes erra.
Pra quem mora no campo
Um cheiro de terra
Urbano ou rural
bom ou mau 
O cheiro sempre vem do chão
A chuva de verão

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

No Bar

Entrei em um bar agora
Sentei e olhei para fora
A rua perdida em tantas histórias
E eu perdido nas minhas memórias

O cachorro me olha
Eu o chamo
Ele me ignora
O dono só olha pro pulso
No tempo avulso
Sem tempo, sem hora

Uma mulher está lá fora
Do lado da porta de onde mora
Senta no banco branco, olha pro espelho
Ajeita o cabelo, junta os joelhos e chora
Chegou o meu café
Mas já estou de pé
Do bar vou embora

Relação Virtual

O convívio,
sem indivíduo,
não traz alívio,
nem boa impressão
Qualquer passo em falso dá calço à questão

Aurora

Para uma pessoa especial, um relato, um texto rimado:


De manhã vejo aurora, quando o sol nasce
Aí desejo, de dentro pra fora, que esse tempo não passe
Incidido por medo de ser inconveniente
Descubro que não só pela manhã a Aurora se faz presente

Vi a mistura de cores,
em flores,
no escuro, clarear teu rosto
Sem ver nada que era oposto
Quando eu falava, tua boca ria
E eu via
Canhão de luz do horizonte
Como raio de sol da aurora do dia
Não só no amanhecer, mas até a noite

Mexeu tua mão
Como a folha que dança e toca o chão
Balançada por vento
Entranhada por tempo

Sentia o grave nos pés e os fazia vibrar
Tua mão continuava a dançar
O individual passara a ser dividido por afeto
Descansamos a cabeça na cadeira
E começamos a caminhar pelo teto

É formidável ler e ouvir tua conversa
Fazer tu sorrir com minha fala dispersa
Fundarei, para demais discussões, um grande comício
Mas de uma longa viagem este é só o início

Viaja comigo todos os dias
Para criar um elo
Pega tua mala, não precisa de guias
Pode até levar caramelo
Já temos o trem e a hora marcada
Embarquemos na história a ser desvendada